As Cidades e a Serra surge na continuidade da anterior co-produção de música cénica da Companhia de Música-Teatral e do Coro de Câmara de Lisboa, Uma prenda para Eugénio de Andrade.
A dualidade/conflito entre o urbano e o rural presente na obra literária "A Cidade e as Serras" de Eça de Queiroz foi o ponto de partida deste trabalho. A pesquisa literária entretanto efectuada levou-nos até outras paragens, nomeadamente à obra As Cidades Invisíveis de Italo Calvino. O que, seguindo o percurso deste autor, fez com que As Cidade e as Serras passasse a ser sobretudo uma visita a lugares da imaginação, uma viagem por cidades e serras musicais. Lugares fantasiados em termos sonoros, espaço de interioridades humanas. Perante o dilema entre criar ou não criar raízes, face ao confronto entre o popular e o erudito, a imaginação surge como o refúgio possível da desinstalação e inospitalidade presente em todos aqueles que optam pela cidade mas coabitam com a nostalgia da serra e dos que vivem na serra mas suspiram pela cidade. Ou seja, vai-se deambulando pela transitoriedade dos locais reais; a única fixação possível pertence à arquitectura das ficções.
É assim que o espectáculo se constrói a partir de composições originais feitas com sons do ambiente recolhidos em Portugal e em Londres e colagens de obras concebidas a partir da paisagem sonora (Cries of London de Gibbons, Welkes e Berio e Les Cries de Paris de Janequin). As Cidades e as Serras integra ainda música tradicional portuguesa harmonizada por Paulo Maria Rodrigues, Fernando Lopes-Graça e Eurico Carrapatoso.
O espectáculo surge, pois, da confluência de catalisadores criativos e humanos presentes nas composições organizadas por Paulo Maria Rodrigues em conjunção com a coreografia de António Tavares e as imagens de Pedra Sena Nunes.
Em alternativa ao livro de Eça, As Cidades e as Serras não apresenta uma narrativa nem uma solução para o conflito entre o Rural e o Urbano, a Natureza e Tecnologia, o Simples e o Complexo, o Popular e o Erudito. Não se trata, pois, de fixar residência em Paris ou Tormes. Apenas se deambula por entre trânsitos do Som, Corpo e Imagem.
Viaja-se. Estamos de passagem
Ficha artística
Concepção: Companhia de Musica Teatral
Textos: Varios escritores e poetas portugueses
Guião: Helena Rodrigues
Música: Paulo Maria Rodrigues, Fernando Lopes-Graça
e Eurico Carrapatoso. Banda sonora inédita de Paulo Maria
Rodrigues
Coreografia: Antonio Tavares
Desenho de Luzes: Clemente Cuba
Adereços cénicos e montagem: Robert Fuchs
e Janette Christian
Figurinos: Rita Marques da Silva
Multimédia: Nelson Zagalo, Luls Mouta, David Mota
e Nuno Cardinha
Direcção artística: Teresita Gutierrez
Marques e Paulo Maria Rodrigues
Intérpretes: Coro de Câmara de Lisboa, Antonio
Tavares, Helena Rodrigues, Paulo da Silva
Produção: Coro de Câmara de Lisboa
e Companhia de Musica Teatral